Arte com Alma

As lendas de Matosinhos - O Senhor de Matosinhos (Parte I)



Na Igreja paroquial de Matosinhos vê-se no altar central uma imagem de Jesus crucificado em madeira que, segundo as várias lendas que por estes lados se contam, corresponde a uma das imagens mais antigas que existem de Jesus Cristo.

Aliás, segundo a lenda, este Cristo foi esculpido pelo próprio Nicodemos que trabalhava muito bem a madeira. 

Nos Evangelhos, Nicodemos foi um dos levaram o corpo de Jesus para a sepultura:

“Depois disto, José de Arimateia, que era discípulo de Jesus, mas secretamente por medo das autoridades judaicas, pediu a Pilatos que lhe deixasse levar o corpo de Jesus. E Pilatos permitiu-lho. Veio, pois, e retirou o corpo. Nicodemos, aquele que antes tinha ido ter com Jesus de noite, apareceu também trazendo uma mistura de perto de cem libras de mirra e aloés. Tomaram então o corpo de Jesus e envolveram-no em panos de linho com os perfumes, segundo o costume dos judeus. No sítio em que Ele tinha sido crucificado havia um horto e, no horto, um túmulo novo, onde ainda ninguém tinha sido sepultado. Como para os judeus era o dia da Preparação da Páscoa e o túmulo estava perto, foi ali que puseram Jesus.” (São João 19, 38-42)


E com base na imagem deixada no Santo Sudário, que envolveu o corpo de Jesus no seu sepulcro, Nicodemos fez várias imagens do Cristo na cruz, trabalhadas em madeira que alguns dizem ter sido cinco. 

Por essa altura, havia uma violenta perseguição aos cristãos por parte dos romanos e dos judeus. Por causa disso, Nicodemos, para que não fosse acusado como cristão, jogou todas as imagens no mar, sendo que uma delas veio parar aos mares que beijam a praia de Matosinhos.

Apesar de alguns dizerem que Nicodemos fez apenas cinco imagens de Jesus crucificado, outros dizem que é desconhecido o número exato de imagens que foram jogadas ao mar, pois contam-se mais de 20, as imagens de Cristo na cruz, com lendas semelhantes a esta de Matosinhos, na costa mediterrânea, em Portugal, sul da Espanha e Galiza.

Contudo, a mais antiga considera-se esta, que aqui está em Matosinhos, em que o Cristo está em tamanho natural.

Mas como esta imagem lançada ao mar chegou a Matosinhos?

No próximo artigo deste blogue, continuaremos a contar mais lendas de Matosinhos…




Bibliografia:

Pormenores das lendas de Matosinhos consultados em:

O trecho bíblico foi consultado em:

As imagens são pinturas originais de Gráccio Caetano 

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Finalizando a pintura do retrato de Francisco Marto ...



"Costumava dizer: «Que belo é Deus, que belo! Mas está triste por causa dos pecados dos homens. Eu quero consolá-lo, quero sofrer por seu amor»."

"(…) O Francisco era tolerante e pacífico, condescendente e bondoso. Não discutia. Talvez já entendesse, naquela idade tão tenra, que da discussão, como regra, não nasce a luz, mas cresce a paixão."

"Um dia, um companheiro tirou-lhe um lenço muito lindo. Lúcia interveio, para que o lenço lhe fosse restituído. O Francisco, que não era para contendas disse: - «Deixa lá! A mim que me importa o lenço?»


"Muito sensível e contemplativo, orientou toda a sua oração e penitência para «consolar a Nosso Senhor»."

"Não se impressionou muito com a visão do inferno, mas ficava absorto na contemplação da Santíssima Trindade; na contemplação de Deus que se lhe manifestou nessa luz imensa que penetrou até ao mais íntimo da alma."

 "Nós estávamos a arder, naquela luz que é Deus e não nos queimávamos. Como é Deus!!! Não se pode dizer! Isto, sim, que a gente nunca pode dizer! Mas que pena Ele estar tão triste! Se eu o pudesse consolar!"


"Nutriu uma especial devoção à Eucaristia e passava muito tempo na igreja, adorando o Santíssimo Sacramento do altar a que chama «Jesus escondido»."

"Gosto mais de rezar sozinho", dizia tantas vezes, "para pensar e consolar a Nosso Senhor"! Por isso passava horas e horas junto de "Jesus escondido". Quando já não podia ir, pedia à Lúcia que fosse na sua vez: -"Dá muitas saudades minhas a Jesus escondido".


"No ano de 1918 foi atingido pela grave epidemia bronco-pulmonar chamada «espanhola». Sofreu, com íntima alegria, a sua enfermidade e as suas enormes dores, em oblação a Deus."

"À Lúcia que lhe perguntava se sofria, respondeu: «Bastante, mas não me importa. Sofro para consolar Nosso Senhor e em breve irei para o céu»."


"No dia 2 de Abril, recebeu santamente o sacramento da Penitência e no dia seguinte foi finalmente alimentado com o Corpo de Cristo, como Santo Viático que seria a sua primeira e também última comunhão. Poucos momentos, antes de morrer disse: -  Olhe, mãe, olhe, que luz tão linda, ao pé da porta."

"Às 10 horas da noite, a 4 de Abril de 1919, faleceu com calma, sem nenhum sinal de sofrimento, sem agonia, o seu rosto brilhando com uma luz angélica.

Nas suas Memórias, Lúcia assim descreveu este momento: "Ele voou para o Céu nos braços da Nossa Mãe Celeste."

Francisco Marto foi um dos três pastorinhos que do dia 13 de Maio até ao dia 13 de Outubro de 1917, aos quais, a Virgem Maria apareceu em Fátima – Portugal. Quando, no transcurso da Primeira Aparição, Lúcia perguntou se o Francisco iria para o Céu, Nossa Senhora respondeu: "Sim, ele vai para o Céu, mas terá que recitar o Rosário muitas vezes."

(…) Dentre os três pastorinhos, Francisco parece ser aquele que mais profundamente captou o sobrenatural de Fátima.







As frases deste vídeo sobre Francisco Marto
foram consultadas nos seguintes sites:


Imagens da pintura
"Francisco Marto"
Retrato pintado com técnica mista
Obra original de Gráccio Caetano


Começando a pintar o retrato de Francisco Marto...




Francisco nasceu em Aljustrel, paróquia de Fátima - Portugal, no dia 11 de Junho de 1908, filho de Manuel Pedro Marto e de Olímpia de Jesus Marto.  


"Francisco era um rapaz com uma cara arredondada, traços perfeitos, olhos claros, bem constituído. Tal como os outros rapazes da sua aldeia, vestia-se com simplicidade, calças compridas e colete. Na cabeça, usava um longo carapuço típico da região."


Desde os seis anos, diariamente, saía de manhã cedo com o rebanho que pastoreava, retornando a casa ao pôr do sol. 

Levava consigo uma sacola na qual estava o alimento e a também a flauta, com a qual se divertia, a tocar e a cantar nos penedos mais altos: "Amo a Deus no Céu. Amo-o também na terra, amo o campo, as flores. Amo as ovelhas na serra".


"Era sensível à beleza da natureza, que contemplava com sensibilidade e admiração; deleitava-se com a solidão dos montes e ficava extasiado perante o nascer e pôr do sol."

"Na natureza sabia descobrir o rasto de Deus; por isso contemplava extasiado o lindo nascer e pôr do sol, o seu reflexo nas vidraças das janelas ou nas gotas de orvalho."



Assim como Francisco de Assis, também amava os passarinhos como criaturas de Deus, deixando-lhes pedacinhos de pão em cima dos penedos, dizendo-lhes: "Coitadinhos! Estão cheios de fome. Venham, venham comer".

"Chamava ao sol «candeia de Nosso Senhor» e enchia-se de alegria ao aparecerem as estrelas que designava «candeias dos Anjos»."

"Era de tal inocência que dizia que ao chegar ao céu havia de colocar azeite na candeia da Virgem Maria."




(A pintura do Retrato de Francisco Marto ainda não está finalizada. Nos próximos artigos publicaremos a continuação desta pintura e a sua versão final).

As frases e história de Francisco Marto foram consultadas nos seguintes sites:

Fotos da Pintura do retrato de Francisco Marto com técnica mista sobre papel - original de Gráccio Caetano:

Veja alguns vídeos dos retratos de Gráccio Caetano em:




Terminando a Pintura do retrato de Jacinta Marto ...





"Ela era criança só em idade. No demais, sabia já praticar a virtude e mostrar a Deus e à Santíssima Virgem o seu amor, pela prática do sacrifício…”.

"Procurava o silêncio e a solidão e de noite levantava-se da cama para rezar e livremente expressar o seu amor ao Senhor."


"Em pouco tempo, a sua vida interior se notabilizou por uma grande fé e por uma enorme caridade."

"A propósito disto dizia: «Gosto tanto de Nosso Senhor! Por vezes julgo ter um fogo no peito, mas que não me queima»."


"Gostava muito de contemplar Cristo Crucificado e comovia-se até às lágrimas ao ouvir a narração da Paixão."

"Então afirmava já não querer cometer pecados para não fazer sofrer Jesus."



"Alimentou uma ardente devoção à Eucaristia, que visitava frequentemente e durante longo tempo na igreja paroquial, escondendo-se no púlpito, onde ninguém a pudesse ver e distrair."

"Desejava alimentar-se do Corpo de Cristo mas isso não lhe foi permitido por causa da idade."

"Encontrava, contudo, consolação na comunhão espiritual."



"Prevendo morrer sozinha, isto é, longe dos seus queridos familiares, disse: «Ó meu Jesus, agora podes converter muitos pecadores, porque este sacrifício é muito grande!»."

"«Sofro muito, mas ofereço tudo pela conversão dos pecadores e para reparar o Coração Imaculado de Maria, e também pelo Santo Padre», confidenciou a Lúcia."



"E já muito doente, consola a mãe com estas palavras: «Não se aflija, minha Mãe: vou para o Céu. Lá hei-de pedir muito por si»"

"«No Céu vou amar muito a Jesus e o Coração Imaculado de Maria», declarou pouco antes de morrer."



Jacinta Marto morreu santamente em 20 de Fevereiro de 1920, no Hospital de D. Estefânia, em Lisboa, depois de uma longa e dolorosa doença, oferecendo todos os seus sofrimentos pela conversão dos pecadores, pela paz no mundo e pelo Santo Padre.

Jacinta Marto foi um dos três pastorinhos que desde o dia 13 de Maio até ao dia 13 de Outubro de 1917 viram a Virgem Maria em Fátima, Portugal, no lugar chamado Cova da Iria, perto de Fátima.


Segundo Lúcia, “Jacinta foi aquela que recebeu de Nossa Senhora a maior abundância de graças, e um melhor conhecimento de Deus e da virtude”.






Assim terminamos a pintura do retrato de Jacinta Marto, porém no próximo artigo iremos começar a pintura de Francisco Marto. Estes dois pastorinhos que viram a Virgem Maria em Fátima - Portugal, serão beatificados no próximo dia 13 de maio de 2017.


Fotos da pintura com técnica mista do retrato de Jacinta Marto - obra original de Gráccio Caetano - www.gracciocaetano.com


As frases e a bibliografia de Jacinta Marto foram consultados nos seguintes sites:




www.pastorinhos.com/jacinta/



À Laura, mulher forte, minha mãe !



À Laura, mulher forte, minha mãe

Suave força a desdobrar o horizonte
Fresca água de inesgotável fonte
A coragem da águia em defesa do seu ninho
Olhar firme, porta de carinho…

Após nove meses cuidando de invisível flor
Eis a mulher superando a sua dor
Pela ânsia em derreter-se ante novo ser
Ousa chama-lo filho antes mesmo deste nascer…

Este mistério incendia o universo
Faz nova era, destino inquieto…
Mãe, há angústia de possível retribuição
Ofereces alma, mente e coração…

Deus criou a mulher, fez-lhe dar a luz,
Fez dela, mãe, por uma divina razão!
Perpetuou nela, uma missão, pela cruz
Também nela, antecipa-se a ressurreição!

Ser mãe é ressuscitar a humanidade
viver a esperança por nove meses,
por vezes, nem tanto, é verdade,
pela cruz da gestação, gerar novos seres...

Nasce-se criança, nasce-se filho
Quando ao colo materno, acorda-se,
Ao peito materno, sente-se querido,
O futuro incerto, em tuas mãos, abraça-se!

Aprende-se, desde cedo a acreditar
Mesmo sem ver à frente, prosseguir,
Apesar da dor, amar e aceitar
Apesar do medo, vencer o que há de vir...

(Poema de Rosária Grácio)


Imagem da obra original de Rosária Vilela:
"Mãe"
Pintura óleo sobre tela
Ano: 1996

Coleção Particular

Começando a pintar o retrato da Jacinta Marto...





Nasceu em Aljustrel, Fátima, no dia 11 de março de 1910 e foi a sétima filha do casal Manuel Pedro Marto e Olímpia de Jesus dos Santos.


Com seus olhitos claros, cabelos direitinhos e rosto muito belo, constituía o encanto e o centro de atracção dos pais e irmãos.


De índole vivaz, expansiva e alegre, gostava de brincar e bailar; cativava a simpatia dos outros...


Os seus modos eram sérios e reservados, mas amigáveis.


Todas as suas acções pareciam reflectir a presença de Deus de uma maneira própria de pessoas adultas e de grande virtude.


“É maravilhoso como ela percebeu bem o poder da oração e do sacrifício tão recomendado a nós pela Santíssima Virgem… "



Ainda não está pronto! No próximo artigo partilharemos a continuação desta pintura original de autoria de Gráccio Caetano... Um retrato conta uma história, pelo que fomos pintando o retrato com a invocação de algumas frases sobre Jacinto Marto. (ver explicação constante do artigo anterior).

As frases sobre Jacinta Marto foram consultadas nos seguintes sites:





Pintura dos retratos de Francisco e Jacinta Marto



No próximo dia 13 de Maio de 2017, os beatos Francisco e Jacinta Marto serão canonizados. Em homenagem a este grande acontecimento que está a mobilizar muitos cristãos católicos para Fátima - Portugal, ainda mais que o próprio Papa Francisco também estará entre nós, durante estas duas semanas iremos fazer a pintura dos beatos Francisco e Jacinta Marto. 

Vamos iniciar com Jacinta Marto.

Para fazer o seu retrato em técnica mista a cores, tivemos de nos basear não apenas nas fotos disponíveis, que em sua maioria são em preto e branco, como também no que a própria Lúcia descreveu dos seus primos.

Como sabem, pintar um retrato não é apenas estarmos a repetir uma foto. Um retratista deve chegar ao âmago da personalidade da pessoa retratada. 


Já fizemos vários painéis de azulejo com a pintura dos pastorinhos e de Nossa Senhora de Fátima, como podem ver nas fotos acima.

No entanto, um retrato deve captar mais que as linhas e as cores. Um retrato deve ser capaz de falar os sentimentos do retratado. Pelo menos, o artista tenta que a sua pintura consiga comunicar a vida para além das cores e linhas pintadas. 

Saber das qualidades da pessoa retratada é essencial para que o retrato seja a expressão do que o artista sentiu, e não apenas isso, deve também transparecer o que se sabe acerca da personalidade do retratado.

Para consultar mais pormenores físicos de Jacinta Marto visitamos vários sites que indico na bibliografia abaixo.

Depois, para além destes pormenores, precisamos sentir toda a personalidade do retratado. Para isso, retiramos algumas frases que, na nossa opinião, traduzem a personalidade de Jacinta Marto.

Nos próximos dias irei partilhar as frases e o andamento desta pintura ...

Para começar, no papel esboça-se as linhas do retrato...






Bibliografia:

http://www.worldfatima.com/os-pastorinhos

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