Senhor do Padrão
30 cm X 30 cm
Técnica Mista sobre Tela
Ano 2008
Obra original de Gráccio Caetano
Neste artigo, continuamos a apresentar as nossas obras relativas a Matosinhos.
Na sequência do “Senhor de
Matosinhos”, cujas as lendas envolveram o povo não só de Matosinhos, mas também
de Portugal e do mundo inteiro, eis que o local onde esta imagem apareceu foi
assinalado com um zimbório, para que tal acontecimento fosse eternizado no
tempo.
Este monumento que atualmente
chama-se “Senhor do Padrão” foi construído no século XVIII e já foi conhecido
também por “Senhor do Espinheiro” ou “Senhor da Areia”.
Na altura da sua
construção, só por ali havia o areal, estando este monumento sagrado visível a muitos quilómetros não
só de quem estava em terra como de quem vinha do mar.
Apesar de atualmente haver uma
grande quantidade de prédios a tentar esconder este lugar tão especial de
Matosinhos, quem ali vai, sente uma força especial de vários séculos de
devoção religiosa, especialmente dos pescadores de Matosinhos e das suas
famílias.
No dia 1 de novembro, todos os anos, este monumento vê-se rodeado por
milhares de velas que ardem em memória dos muitos pescadores que morreram no
mar.
Por causa desta sua força que
emerge deste monumento, Gráccio Caetano dedicou-lhe uma obra, fazendo-o o centro da tela, aliás, este ocupa todo o espaço da tela.
O que Gráccio Caetano quer
transmitir, antes de mais, é esta dinâmica que cresce da terra de Matosinhos e
nos visita por meio deste monumento "Senhor do Padrão".
O monumento ergue-se da
pequena tela e parece crescer do seu pequeno espaço onde está inserido, como agora está este monumento em Matosinhos, rodeado de tantos prédios que quase o
abafam.
Mas o que é certo, é que mesmo neste pequeno
espaço, ele parece falar-nos da sua história, quase se ouvem os gemidos e os
gritos, dos que um dia no mar submergiram.
Ao mesmo tempo, a imagem do Senhor
de Matosinhos desenhada ao centro, acalma os espíritos e dá-nos a paz.
O centro,
onde Cristo habita, abraça todas estas almas e conforta as que ficaram. Nada mais
resta, apenas esta esperança da eternidade além da morte que sobe ao
céu, como sobe o fumo das velas que lá se acendem.
O monumento foi esculpido na
tela sem qualquer vontade de ser uma réplica matemática do real pois não é este
o objetivo de Gráccio Caetano.
O que Gráccio Caetano deseja
transmitir é antes de mais, esta força que cresce da terra, erguida em pedra,
resistente às intempéries, centrada na imagem do Senhor do Padrão que lá se
recolhe para também acolher e abraçar a quem o visita.
Para esta obra Rosária Grácio
escreveu o seguinte poema:
“Há
muitos anos, no areal estavas só…
Mesmo
ao longe, muita devoção acendias
Tanto
do mar como da terra, todos te viam
Eras
farol da esperança
Para
qualquer embarcação que por cá aparecia.
Agora
escondido entre os prédios novos
Ainda
não está esquecida a tua história,
O
Senhor do Padrão ama o seu povo
E
este guarda-lhe eterna memória…”
Para saborear melhor esta obra e o seu poema convidamos-lhe a assistir o vídeo que fizemos onde poderá sentir um pouco do que em Gráccio Caetano sentiu ao realizar esta linda obra.
Bibliografia:
Os pormenores históricos do
monumento “Senhor do Padrão” foram consultados em: